Reator
Agente tóxico
Arraste para acompanhar a absorção, o metabolismo e o dano de órgão ao longo do tempo.
Absorvido até agora: 95 % · limiares do cão.
Reator
Descontaminação e antídotos
Indução de emese
Apomorfina é o padrão no cão; o ropinirol oftálmico é alternativa comparável, e a administração consecutiva dos dois é uma opção quando a primeira tentativa falha. No gato, α2-agonistas (dexmedetomidina). Peróxido de hidrogênio a 3 % lesa a mucosa gastroduodenal e deve ser evitado. (REEVES et al., 2025; SALORANTA; LEVIJOKI; VUORELA, 2024; NIEDZWECKI et al., 2017)
Carvão ativado
Dose única de 1–2 g/kg adsorve toxinas orgânicas ainda no lúmen. Doses repetidas interrompem a recirculação êntero-hepática, mas aumentam o risco de hipernatremia — monitore o sódio. (YOUNG et al., 2025; GABRIEL et al., 2025; STELLAARD; LÜTJOHANN, 2021)
N-acetilcisteína
Precursor de glutationa: neutraliza o NAPQI enquanto ele ainda não formou adutos mitocondriais. (JAESCHKE; RAMACHANDRAN, 2024; BATES, 2016b)
Fluidoterapia
Mantém a perfusão renal; no gato exposto a lírio, iniciada antes de 18 h, previne a lesão renal aguda. (BATES, 2016a; LAM; HESS; REINEKE, 2025)
janela de descontaminação
via porta
1ª passagem hepática
dano de órgão no modelo
Próximo nível
O destino da toxina depois da veia porta
Zonação, transportadores, CYP450, glutationa, interações e PubChem.
Sistema digestório
Camadas anatômicas e estado alimentar
Estômago contraído, rugas proeminentes; o complexo motor migratório (fase III) varre periodicamente o antro em direção ao duodeno. Ilustrativo: os números do modelo não mudam.
Cão: o ducto pancreático abre-se na papila maior, junto ao colédoco; o ducto acessório, em geral o mais calibroso, drena na papila menor, mais caudal.
No lúmen
0%
da dose ingerida
Absorvido
95%
via porta
Mucosa
0%
lesão erosiva
Fígado
0%
necrose zona 3
Adsorção
15%
pelo carvão ativado
Eliminação + carvão
0%
ciclo êntero-hepático interrompido
- Absorção praticamente concluída: a descontaminação gastrintestinal tem pouco a acrescentar; o foco passa a ser antídoto e suporte.
Marca-passo gástrico. Na curvatura maior do corpo, as células intersticiais de Cajal geram ondas lentas que se propagam em sentido aboral e aceleram no antro, coordenando a bomba antral e o piloro. (O'GRADY et al., 2021)
Circulação êntero-hepática. Bile → colédoco → duodeno; os ácidos biliares são reabsorvidos no íleo e retornam ao fígado pela veia porta, ciclo que também recicla xenobióticos conjugados. (STELLAARD; LÜTJOHANN, 2021)
Zonação hepática. O sangue portal flui da zona 1 (periportal) para a zona 3 (pericentral), rica em CYP450: por isso as hepatotoxinas bioativadas causam necrose centrolobular. (BEN-MOSHE; ITZKOVITZ, 2019; CUNNINGHAM; PORAT-SHLIOM, 2021)
AINEs e mucosa. Lesões gastroduodenais ocorrem mesmo em doses terapêuticas e muitas vezes sem sinais clínicos; antro, piloro e duodeno proximal são os locais ilustrados. (MABRY; HILL; TOLBERT, 2021)
Monitor metabólico
Painel toxicológico · Cão
Glicemia
60mg/dL
ALT
40U/L
ref. < 100 U/L
Creatinina
1.00mg/dL
Frequência cardíaca
95bpm
Dossiê científico
Agente, doses e conduta
Xilitol
Poliálcool adoçante · secretagogo de insulina no cão
Mecanismo
- No cão, o xilitol é absorvido rapidamente e estimula a célula β de forma potente: a insulina sobe até seis vezes mais do que com a mesma dose de glicose, e a hipoglicemia aparece em 30 a 60 minutos. (MURPHY; DUNAYER, 2018)
- Em doses maiores ocorre necrose hepática aguda com coagulopatia; o mecanismo mais aceito é a depleção de ATP e de NADPH hepático, com geração de espécies reativas de oxigênio no metabolismo do xilitol. (DUNAYER; GWALTNEY-BRANT, 2006; MURPHY; DUNAYER, 2018)
- O gato não repete a resposta insulínica: doses orais altas não causaram hipoglicemia clínica na espécie. (JERZSELE et al., 2018)
Doses de referência · paciente atual 0.075 g/kg
| Faixa | Efeito esperado |
|---|---|
| ≥ 0,1 g/kg | hipoglicemia por hiperinsulinemia (MURPHY; DUNAYER, 2018; DuHADWAY et al., 2015) |
| ≥ 0,5 g/kg | risco de hepatopatia aguda e coagulopatia (MURPHY; DUNAYER, 2018; LOVELL et al., 2025) |
Curso clínico
- 30–60 min — vômito, fraqueza, ataxia, convulsões hipoglicêmicas
- 12–24 h — elevação de ALT, hiperbilirrubinemia
- 24–72 h — coagulopatia e insuficiência hepática nos casos graves
Conduta
- Emese só no animal assintomático e normoglicêmico; o carvão ativado adsorve mal o xilitol e não é indicado de rotina. (MURPHY; DUNAYER, 2018)
- Glicemia seriada a cada 1–2 h por 12 h, bolus de dextrose e infusão contínua de glicose; hepatoprotetores e plasma quando houver coagulopatia. (MURPHY; DUNAYER, 2018; DuHADWAY et al., 2015)
O que a literatura recente acrescenta
- Coorte recente estimou a incidência real de hepatopatia após ingestão e mostrou que a dose por quilo é o principal fator de risco — o que reforça a estratificação pela dose calculada. (LOVELL et al., 2025)
Fisiologia
Barreira entérica e zonação hepática
O que as placas mostram
- As células intersticiais de Cajal geram ondas lentas que se propagam do corpo ao antro; o piloro regula o esvaziamento do quimo. (O'GRADY et al., 2021)
- A borda em escova é formada por microvilos com núcleo de actina e coberta por glicocálix. (MORALES; GAETA; TYSKA, 2023)
- Glicose entra pelo SGLT1 apical, movido pelo gradiente de Na⁺ que a Na⁺/K⁺-ATPase basolateral mantém, e sai pelo GLUT2; a frutose usa o GLUT5 apical. Di e tripeptídeos usam o PEPT1 acoplado a próton. (KOEPSELL, 2020; SPANIER; ROHM, 2018)
- Junções oclusivas (claudinas, ZO-1) controlam a via paracelular; toxinas que as rompem aumentam a absorção. (HOROWITZ et al., 2023)
- O fígado é zonado: a zona 1 periportal recebe sangue oxigenado; a zona 3 pericentral concentra o CYP450 — por isso a necrose por toxinas bioativadas é centrolobular. (BEN-MOSHE; ITZKOVITZ, 2019; CUNNINGHAM; PORAT-SHLIOM, 2021)
- O gato tem menor atividade de várias enzimas de biotransformação, o que explica sua maior sensibilidade a xenobióticos. (KHIDKHAN et al., 2020)
Fontes
Referências do módulo · ABNT NBR 6023
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