Digestório e antídotos

Toxicologia

Reator

Agente tóxico

60 min

Arraste para acompanhar a absorção, o metabolismo e o dano de órgão ao longo do tempo.

Gravidade pela dose0.075 g/kg
nenhumaleve≥ 0.075grave≥ 0.150crítica≥ 0.500

Absorvido até agora: 95 % · limiares do cão.

Reator

Descontaminação e antídotos

Indução de emese

Apomorfina é o padrão no cão; o ropinirol oftálmico é alternativa comparável, e a administração consecutiva dos dois é uma opção quando a primeira tentativa falha. No gato, α2-agonistas (dexmedetomidina). Peróxido de hidrogênio a 3 % lesa a mucosa gastroduodenal e deve ser evitado. (REEVES et al., 2025; SALORANTA; LEVIJOKI; VUORELA, 2024; NIEDZWECKI et al., 2017)

Carvão ativado

Dose única de 1–2 g/kg adsorve toxinas orgânicas ainda no lúmen. Doses repetidas interrompem a recirculação êntero-hepática, mas aumentam o risco de hipernatremia — monitore o sódio. (YOUNG et al., 2025; GABRIEL et al., 2025; STELLAARD; LÜTJOHANN, 2021)

N-acetilcisteína

Precursor de glutationa: neutraliza o NAPQI enquanto ele ainda não formou adutos mitocondriais. (JAESCHKE; RAMACHANDRAN, 2024; BATES, 2016b)

Fluidoterapia

Mantém a perfusão renal; no gato exposto a lírio, iniciada antes de 18 h, previne a lesão renal aguda. (BATES, 2016a; LAM; HESS; REINEKE, 2025)

Trânsito digestivo · 1×Gravidade: leve
MDLDQMELECdPpZ1Z2Z3Lóbulo hepáticozona 3 · dano 0 % · GSH 100 %mucosa · fovéolassubmucosacircularlongitudinalPAREDE GÁSTRICA · CORTElúmenFÍGADO · FACE VISCERALcão · rebatido cranialmenteLDlateral direitoMDmedial direitoQquadradoMEmedial esquerdoLElateral esquerdoCdproc. caudadoPpproc. papilarVesícula biliarEsôfago abdominalhiato esofágicoVeia cava caudal← veias hepáticasVeia porta1ª passagem · 27 %Tronco celíacoaorta abdominalColédocobile → duodenoPiloroCMM · fase IIIPapila duodenal maiorcolédoco e d. pancreáticoPapila duodenal menord. pancreático acessórioPâncreas · lobo direitono mesoduodenoDuodeno descendenteflexuras cranial e caudalV. mesentérica cranial+ esplênica → portaJejunono mesentérioÍleo · ceco · cólonreabsorção de ácidos biliaresCárdiaFundoMarca-passoondas lentasCorpocurv. maiorBaçoV. esplênicaAntrobomba antralPâncreaslobo esquerdo2 cm1× · TRÂNSITO DIGESTIVO · ESTÔMAGO, DUODENO, PÂNCREAS, PORTA E FÍGADO
No lúmen0%

janela de descontaminação

Absorvido95%

via porta

Plasma / pico57%

1ª passagem hepática

Lesão · rim0%

dano de órgão no modelo

toxinaartériaportacavabilelinfaSNE

Próximo nível

O destino da toxina depois da veia porta

Zonação, transportadores, CYP450, glutationa, interações e PubChem.

Abrir sistema hepático · 1× → 10.000×

Sistema digestório

Camadas anatômicas e estado alimentar

Jejum

Estômago contraído, rugas proeminentes; o complexo motor migratório (fase III) varre periodicamente o antro em direção ao duodeno. Ilustrativo: os números do modelo não mudam.

Cão: o ducto pancreático abre-se na papila maior, junto ao colédoco; o ducto acessório, em geral o mais calibroso, drena na papila menor, mais caudal.

No lúmen

0%

da dose ingerida

Absorvido

95%

via porta

Mucosa

0%

lesão erosiva

Fígado

0%

necrose zona 3

Adsorção

15%

pelo carvão ativado

Eliminação + carvão

0%

ciclo êntero-hepático interrompido

  • Absorção praticamente concluída: a descontaminação gastrintestinal tem pouco a acrescentar; o foco passa a ser antídoto e suporte.

Marca-passo gástrico. Na curvatura maior do corpo, as células intersticiais de Cajal geram ondas lentas que se propagam em sentido aboral e aceleram no antro, coordenando a bomba antral e o piloro. (O'GRADY et al., 2021)

Circulação êntero-hepática. Bile → colédoco → duodeno; os ácidos biliares são reabsorvidos no íleo e retornam ao fígado pela veia porta, ciclo que também recicla xenobióticos conjugados. (STELLAARD; LÜTJOHANN, 2021)

Zonação hepática. O sangue portal flui da zona 1 (periportal) para a zona 3 (pericentral), rica em CYP450: por isso as hepatotoxinas bioativadas causam necrose centrolobular. (BEN-MOSHE; ITZKOVITZ, 2019; CUNNINGHAM; PORAT-SHLIOM, 2021)

AINEs e mucosa. Lesões gastroduodenais ocorrem mesmo em doses terapêuticas e muitas vezes sem sinais clínicos; antro, piloro e duodeno proximal são os locais ilustrados. (MABRY; HILL; TOLBERT, 2021)

Monitor metabólico

Painel toxicológico · Cão

Glicemia

60mg/dL

ALT

40U/L

ref. < 100 U/L

Creatinina

1.00mg/dL

Frequência cardíaca

95bpm

Toxina plasmática (g/kg)No lúmen digestivoGlicemia

    Dossiê científico

    Agente, doses e conduta

    Xilitol

    Poliálcool adoçante · secretagogo de insulina no cão

    Mecanismo

    • No cão, o xilitol é absorvido rapidamente e estimula a célula β de forma potente: a insulina sobe até seis vezes mais do que com a mesma dose de glicose, e a hipoglicemia aparece em 30 a 60 minutos. (MURPHY; DUNAYER, 2018)
    • Em doses maiores ocorre necrose hepática aguda com coagulopatia; o mecanismo mais aceito é a depleção de ATP e de NADPH hepático, com geração de espécies reativas de oxigênio no metabolismo do xilitol. (DUNAYER; GWALTNEY-BRANT, 2006; MURPHY; DUNAYER, 2018)
    • O gato não repete a resposta insulínica: doses orais altas não causaram hipoglicemia clínica na espécie. (JERZSELE et al., 2018)

    Doses de referência · paciente atual 0.075 g/kg

    FaixaEfeito esperado
    ≥ 0,1 g/kghipoglicemia por hiperinsulinemia (MURPHY; DUNAYER, 2018; DuHADWAY et al., 2015)
    ≥ 0,5 g/kgrisco de hepatopatia aguda e coagulopatia (MURPHY; DUNAYER, 2018; LOVELL et al., 2025)

    Curso clínico

    1. 30–60 min — vômito, fraqueza, ataxia, convulsões hipoglicêmicas
    2. 12–24 h — elevação de ALT, hiperbilirrubinemia
    3. 24–72 h — coagulopatia e insuficiência hepática nos casos graves

    Conduta

    • Emese só no animal assintomático e normoglicêmico; o carvão ativado adsorve mal o xilitol e não é indicado de rotina. (MURPHY; DUNAYER, 2018)
    • Glicemia seriada a cada 1–2 h por 12 h, bolus de dextrose e infusão contínua de glicose; hepatoprotetores e plasma quando houver coagulopatia. (MURPHY; DUNAYER, 2018; DuHADWAY et al., 2015)

    O que a literatura recente acrescenta

    • Coorte recente estimou a incidência real de hepatopatia após ingestão e mostrou que a dose por quilo é o principal fator de risco — o que reforça a estratificação pela dose calculada. (LOVELL et al., 2025)

    Fisiologia

    Barreira entérica e zonação hepática

    O que as placas mostram

    • As células intersticiais de Cajal geram ondas lentas que se propagam do corpo ao antro; o piloro regula o esvaziamento do quimo. (O'GRADY et al., 2021)
    • A borda em escova é formada por microvilos com núcleo de actina e coberta por glicocálix. (MORALES; GAETA; TYSKA, 2023)
    • Glicose entra pelo SGLT1 apical, movido pelo gradiente de Na⁺ que a Na⁺/K⁺-ATPase basolateral mantém, e sai pelo GLUT2; a frutose usa o GLUT5 apical. Di e tripeptídeos usam o PEPT1 acoplado a próton. (KOEPSELL, 2020; SPANIER; ROHM, 2018)
    • Junções oclusivas (claudinas, ZO-1) controlam a via paracelular; toxinas que as rompem aumentam a absorção. (HOROWITZ et al., 2023)
    • O fígado é zonado: a zona 1 periportal recebe sangue oxigenado; a zona 3 pericentral concentra o CYP450 — por isso a necrose por toxinas bioativadas é centrolobular. (BEN-MOSHE; ITZKOVITZ, 2019; CUNNINGHAM; PORAT-SHLIOM, 2021)
    • O gato tem menor atividade de várias enzimas de biotransformação, o que explica sua maior sensibilidade a xenobióticos. (KHIDKHAN et al., 2020)

    Fontes

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